
PicPay surpreende com resultado bilionário, mas um número do balanço acende o alerta
PicPay surpreende com resultado bilionário, mas um número do balanço acende o alerta
O PicPay acaba de divulgar um resultado que chama atenção no mercado financeiro. A fintech registrou forte crescimento no segundo trimestre de 2026, ampliou sua base de clientes e praticamente dobrou a carteira de crédito em apenas um ano.
Mas, por trás dos números positivos, há um indicador que merece atenção e que pode mudar a leitura sobre o desempenho da empresa nos próximos meses.
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O lucro ajustado do PicPay chegou a R$ 283 milhões entre abril e junho, uma alta expressiva de 135% em comparação com o mesmo período de 2025. O resultado veio acompanhado de crescimento da receita, expansão do crédito e aumento no número de clientes.
Lucro do PicPay dispara 135% em um ano
O resultado financeiro divulgado nesta segunda-feira, 24 de agosto, mostra que o PicPay continua avançando em diferentes frentes.
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A receita líquida alcançou R$ 4,1 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 67% em relação ao mesmo período do ano passado.
Já o lucro bruto ficou em R$ 1,2 bilhão, avanço anual de 48%. O número ficou ligeiramente acima da projeção de R$ 1,15 bilhão estabelecida pela própria companhia.
Outro indicador que apresentou forte expansão foi a margem financeira, conhecida como NII. O valor chegou a R$ 2 bilhões, alta de 65% na comparação anual.
O crescimento também aparece na quantidade de usuários. A base de clientes aumentou 10% e ultrapassou 70,4 milhões de pessoas.
Carteira de crédito chega a R$ 31,9 bilhões
Um dos principais motores da expansão do PicPay foi o crédito.
A carteira da fintech encerrou o segundo trimestre em R$ 31,9 bilhões, praticamente o dobro do registrado um ano antes.
Segundo a companhia, boa parte desse crescimento veio de modalidades consideradas mais protegidas por garantias e de cartões de crédito destinados a clientes com relacionamento mais consolidado na plataforma.
Os empréstimos com garantia, incluindo modalidades de consignado, além da antecipação do FGTS, representavam 55% da carteira.
No consignado privado, o PicPay já alcançou 3,6 milhões de contratos desde o lançamento da modalidade pelo governo.
Mas existe um número que chamou atenção
Apesar do lucro recorde e da forte expansão dos negócios, o balanço também apresentou um dado que merece acompanhamento.
A inadimplência acima de 90 dias, conhecida como NPL, subiu de 4,1% no segundo trimestre de 2025 para 9,8% ao final de junho de 2026.
O índice também avançou em relação ao primeiro trimestre deste ano, quando estava em 8,9%.
Ou seja, enquanto a empresa aumenta rapidamente sua carteira de crédito, uma parcela maior dos empréstimos está entrando em uma faixa mais longa de atraso.
A companhia, entretanto, avalia que o movimento está relacionado ao amadurecimento natural da carteira e não necessariamente representa uma deterioração nas novas concessões.
O diretor financeiro do PicPay, André Cazotto, também indicou que a inadimplência de longo prazo ainda pode apresentar alguma alta adicional conforme a carteira continue amadurecendo.
Inadimplência de curto prazo apresentou melhora
Nem todos os indicadores de atraso seguiram a mesma direção.
A inadimplência entre 15 e 90 dias caiu de 8,4% no final de março para 7,5% no encerramento de junho.
Ainda assim, o percentual permanece acima do registrado um ano antes, quando estava em 7%.
Esse comportamento ajuda a explicar por que a empresa mantém uma avaliação relativamente positiva sobre a qualidade das novas concessões, mesmo diante do aumento observado nos atrasos superiores a 90 dias.
PicPay projeta mais crescimento no terceiro trimestre
Para o terceiro trimestre de 2026, a fintech espera continuar expandindo sua carteira de crédito.
A projeção é de receitas próximas de R$ 4 bilhões, enquanto o custo de risco deve ficar entre 3,9% e 4,1%.
No segundo trimestre, o custo de risco ficou em 3,9%, mesmo diante do aumento das concessões e de um cenário macroeconômico considerado mais desafiador.
A estratégia da empresa é continuar diversificando as fontes de receita e ampliando sua atuação no mercado de crédito.
Desenrola também movimentou centenas de milhões
Outro destaque do período foi a renegociação de dívidas.
O PicPay informou ter renegociado R$ 520 milhões em dívidas por meio do Desenrola, programa criado pelo governo para facilitar a renegociação de débitos.
O desconto médio concedido ficou em 50%, enquanto o impacto no custo de crédito foi de aproximadamente 5%, segundo os dados apresentados pela companhia.
A fintech também registrou crescimento no volume movimentado pelas maquininhas.
O TPV, que representa o volume total de pagamentos processados, alcançou R$ 142,6 bilhões no fim de junho, alta anual de 19%.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelo maior uso do Pix e dos cartões oferecidos pela empresa.
Resultado mostra força, mas próximos trimestres serão importantes
O balanço do PicPay apresenta uma combinação bastante relevante: lucro crescendo fortemente, receita em alta, dezenas de milhões de clientes e expansão acelerada do crédito.
Por outro lado, o aumento da inadimplência acima de 90 dias é um indicador que deverá ser acompanhado de perto pelos investidores e pelo mercado.
A própria companhia reconhece que esse indicador pode continuar pressionado enquanto a carteira amadurece.
Assim, o próximo balanço será importante para entender se o PicPay conseguirá manter o ritmo de crescimento com controle adequado do risco de crédito.
Por enquanto, os números mostram uma fintech cada vez maior no mercado brasileiro. O desafio agora é transformar essa expansão em crescimento sustentável, mantendo a rentabilidade sem permitir que a inadimplência comprometa os resultados futuros.
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