
CEO da Revolut revela planos para o futuro e fala sobre Ampliar Crédito e Amex Centurion
A Revolut virou notícia duas vezes em pouco mais de um mês. Em julho, foi o valuation de US$ 115 bilhões numa oferta secundária de ações — já contamos aqui o tamanho da diferença para o Nubank. Agora, em entrevista ao podcast Money Minds (Money Times), o CEO da Revolut Brasil, Glauber Mota, detalhou pela primeira vez de forma tão aberta a estratégia por trás desse crescimento — e soltou uma informação que interessa direto a quem lê o Viagem Black: o programa de milhas RevPoints não era o produto que a empresa apostava como carro-chefe, mas virou o motor de vendas por conta própria.
Revolut vs. Nubank: por que o CEO evita a comparação direta
Perguntado sobre a comparação inevitável com o Nubank — hoje avaliado em cerca de US$ 70 bilhões contra os US$ 115 bilhões da Revolut, segundo o valuation de julho —, Mota reconheceu que o banco brasileiro foi por anos o benchmark do setor e que a Revolut “se beneficiou” da educação financeira digital que o próprio Nubank ajudou a criar no país: o cliente brasileiro perdeu o medo de resolver tudo pelo aplicativo, e isso abriu espaço para outras fintechs.
Mas o CEO faz questão de separar as duas empresas por modelo de negócio. Enquanto o Nubank concentra a força em ser o banco do dia a dia de mais de 135 milhões de clientes na América Latina, a Revolut se descreve como um “banco verdadeiramente global” — a analogia que ele prefere não é com outro banco, e sim com Amazon ou Mercado Livre: plataformas que começaram especializadas (câmbio, no caso da Revolut) e foram acumulando produtos até virar um ecossistema completo.
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Ponto importante: A Nubank abriu as portas no Brasil para uma Fintech e de fato a Revolut hoje se ‘aproveita’ disto. Quebra de paradigma.
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A aposta que ninguém vê: Revolut Empresas já é 25% do resultado
Um dos pontos mais concretos da entrevista é sobre pessoa jurídica. Segundo Mota, a unidade Revolut Business já responde por aproximadamente 25% do resultado da operação mundial, oferecendo câmbio e cash management para empresas — um mercado que ele descreve como “ainda relativamente mal atendido” no Brasil. O plano é lançar, nos próximos meses, um produto de banco completo para empresas, expandindo o que hoje é focado em câmbio corporativo.
Do lado de pessoa física, a estratégia declarada é continuar evoluindo os produtos que já existem — cartão, investimentos, câmbio — antes de abrir a próxima frente. Crédito é uma dessas frentes: o CEO fala em usar inteligência artificial e o volume de dados da operação global para tentar ser “mais assertivo” na concessão de crédito no Brasil, mercado que ele descreve como particularmente desafiador pela volatilidade econômica. Sobre IPO, a resposta seguiu a linha institucional já conhecida: é um caminho natural para a empresa, mas sem prazo definido.
Ponto importante: Revolut virá como solução de câmbio inicialmente e quer trazer o mercado PJ forte no Brasil. Também quer fazer um IPO em breve, mas deixou claro que isso não fará tanta diferença para o crescimento global.
A surpresa que veio das milhas — e não do câmbio barato
A parte mais reveladora da conversa, para quem acompanha cartões e milhas, é quando Mota conta qual foi o maior erro de previsão da própria empresa. No início de 2026, o time apostou que o câmbio mais barato seria o grande diferencial de vendas — afinal, a marca Revolut já era conhecida globalmente como solução de conta internacional. Não foi isso que aconteceu.
Quem “descobriu” o produto e vendeu por conta própria foi a comunidade de milhas. Segundo o CEO, o RevPoints passou a ser tratado como o melhor programa de pontos disponível no Brasil justamente porque não tem a “pegadinha” comum de outros programas: em vez de exigir 2, 3 ou até 3,5 pontos para gerar 1 milha aérea (o caso, por exemplo, da Livelo, fixada em 3,5:1 para Avios desde 2023), a conversão do RevPoints é 1 para 1 com companhias aéreas internacionais. Na conta que o próprio Mota faz na entrevista, isso torna cada 3 RevPoints equivalentes a cerca de 10,5 pontos de um programa “comum” — e foi esse boca a boca dentro da comunidade de milhas que puxou um crescimento orgânico que a empresa não tinha planejado como principal motor de vendas.
É uma confirmação, direto da fonte, de algo que este blog já vinha reforçando: para quem mira Avios ou outras milhas internacionais sem depender de calendário promocional, a paridade fixa do Revolut é hoje uma das mais competitivas do mercado brasileiro — e, pelo visto, isso não passou despercebido nem para quem toca a empresa.
Ponto importante: Mirou no que viu acertou no que não viu!
Pix, consentimento de dados e a aposta de longo prazo
Fora do recorte de milhas, a entrevista também trouxe a visão do CEO sobre o papel do Pix na transformação dos pagamentos — resumida numa frase direta: o Pix é o meio de pagamento mais usado no dia a dia do brasileiro, mas “não gera receita”, funcionando apenas como facilitador dentro do ecossistema. Para Mota, a próxima fase de disputa entre bancos e fintechs não vai ser só sobre juros ou tarifas, mas sobre consentimento de dados — quem consegue, com autorização do cliente, cruzar informações para oferecer o produto certo no momento certo.
Olhando dez anos à frente, a visão que ele descreve para a própria Revolut passa por um IPO já concluído, presença em mais de 100 países e um modelo cada vez menos parecido com “abrir um app para resolver uma tarefa específica” e mais parecido com um serviço financeiro que se antecipa à necessidade do cliente, apoiado em inteligência artificial.
“Tem que lembrar que a gente nem faz crédito ainda”, afirma. “Significa que a gente tem um potencial a ser destravado ainda muito maior para o futuro.”
Um resumo
ontos que você me passou ao longo da conversa sobre o artigo da Revolut:
Como a Revolut vê um “super app” — a Revolut trata como app que resolve uma solução por vez, não um super app tipo Amazon/Mercado Livre.
A relvância do PJ: o CEO quer abrir espaço para as Pessoas jurídicas no Brasil, com foco no câmbio, inicialmente e nas soluções corporativas.
O público alvo: Revolut exclui de propósito a base da pirâmide (quem quer crédito de curto prazo) e o topo (quem quer atendimento tipo “officer” personalizado) — miram o meio, o público de autosserviço.
Citam o Revolut Ultra vs. Centurion Card do Bradesco como comparação direta: Perceberam que poderiam ser o Centurion ‘popular’ pois o foco do ULTRA é serviço e milhas para aéreas internacionais com excelentes paridades.
Ainda não fizeram crédito de verdade — volume de depósito é muito maior que volume de crédito no mundo, o que dá espaço pra crescer com qualidade, não só quantidade. São 75 milhões de clientes, +1 milhão de clientes por mês. O Brasil está na rota da ampliação de crédito
CEO quer que o Brasil seja top 3 do mundo pra Revolut (ambição pessoal dele, não meta oficial).
Usaram o THE CENTURION CARD como referência de ‘bom cartão’ mas inacessível
Apostaram em sala VIP própria fora do Brasil (Europa) porque Visa e Mastercard já investem pesado em Guarulhos — o maior investimento do planeta em sala VIP. O custo benefício para começar pelo Brasil seria alto, mas afirmou que o cliente pode sar o LoungeKey em 7 salas Vip em Guarulhos. Mostrou uma ‘preocupação’ implícita na disputa de salas vip no Brasil.
Querem reforçar o Pix mesmo sem envolver lucro direto — é a porta de entrada, não gera receita.
Open Finance junto com IA agrega muito na análise preditiva de crédito.
O câmbio deveria ser o produto número 1 do app, mas quem “roubou a cena” foi o cartão Ultra — venderam em 2 semanas o que projetavam pra 3 meses inteiros.
RevPoints como melhor programa de milhas do momento. (vs Livelo Black – Rewards?)
É 4x mais caro patrocinar sala VIP em aeroporto no Brasil do que na Europa.
A “profissão de milheiro” — galera que sabe viajar de executiva mais barato, movimento orgânico que vendeu o produto sozinho.
IPO Revolut — vai acontecer, mas não é disso que depende o crescimento.
Brasil é um mercado muito competitivo e concorrido pra produtos financeiros digitais. (Além de estabelecido)
Custo de patrocinar aeroporto no Brasil é muito caro (reforça o ponto 14).
O que vem por aí (fora da fala do CEO): Um Mastercard, um cartão de Hoteis e novas parcerias de pontos
Análise Viagem Black
O dado mais útil desta entrevista para quem lê este blog não é o valuation — isso já está bem documentado desde julho. É a confirmação, pela própria empresa, de que o público de milhas foi quem validou o produto de cartão da Revolut no Brasil antes mesmo do marketing oficial. Isso reforça o que já recomendamos: para quem tem RevPoints sobrando e mira Avios, Flying Blue ou outros parceiros internacionais, a paridade 1:1 do Revolut continua sendo uma rota sólida o ano inteiro, sem depender de bônus sazonal — e, ao que tudo indica, é uma vantagem que a própria Revolut pretende continuar explorando enquanto expande para crédito e produtos empresariais.





















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