
Qual cartão levar para os EUA e Canadá: o que funcionou (e o que deu errado) na minha viagem
Para EUA e Canadá, o melhor que fiz foi gastar no débito da Revolut: zero de spread, zero de IOF e nenhuma cobrança extra nos dois países. Mas a conta global não resolve tudo. Locadora de carro e alguns hotéis exigem cartão de crédito físico, e foi aí que a viagem apertou.
O roteiro foi Fort Lauderdale (FLL), Orlando (MCO), Nova York, Toronto e Montreal, com carro alugado em boa parte do caminho. Abaixo conto o que levei, o que funcionou e o que eu faria diferente.
O que você vai ver neste guia
- Os 4 cartões que levei e o papel de cada um
- Revolut no débito: o melhor custo da viagem, mas com uma limitação
- BRB DUX: o melhor crédito da minha carteira, e o bloqueio no meio da viagem
- DUX x Azul Itaú x Revolut: o custo real de gastar US$ 1.000
- Aluguel de carro, pedágio e hotel: onde o crédito físico é obrigatório
- Os erros que cometi
- Câmbio esperto: Braza ON, SWIFT e o upgrade para o Ultra
- Dicas que ninguém conta
- Checklist: a carteira ideal para EUA e Canadá
Os 4 cartões que levei
Cada cartão tinha uma função definida antes de embarcar:
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| Cartão FÍSICO | Função na viagem | Por que levei |
|---|---|---|
| Revolut (débito da conta global) | Gasto do dia a dia | Sem spread e sem IOF na conversão pelo app |
| BRB DUX Visa Infinite | Crédito principal | Melhor pontuação no exterior entre os meus cartões e dólar mais baixo que o do Itaú (4% + 3,5%) E 7 PONTOS POR DÓLAR |
| Azul Itaú Visa Infinite | Backup do DUX e gastos na Azul | Para alguma eventualidade com a companhia |
| Amex The Platinum Card | Salas VIP | Acesso a lounges nos aeroportos do roteiro |
Na carteira digital estavam todos. Fisicamente, deixei o cartão da Revolut em casa, e esse foi meu maior erro da viagem.
Revolut no débito: a melhor opção da viagem
A Revolut foi o cartão que mais usei e o que menos me custou. Não houve nenhuma cobrança extra, nem nos EUA nem no Canadá.
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O motivo é a conta global. Você converte reais em dólar (ou dólar canadense) pelo app e gasta o saldo no débito. No plano Ultra, essa compra de moeda sai sem IOF e sem spread até R$ 20 mil por mês. Acima desse limite, a Revolut cobra 1,4% de reais para moeda estrangeira.
O débito também pontua: são 1,5 RevPoint por dólar no Ultra e 1,0 no Metal. Os RevPoints vão para parceiros aéreos em paridade 1:1.
Onde não deu: em um hotel em Fort Lauderdale, o pagamento pela carteira digital não passou e pediram o cartão físico. Nas locadoras, o cartão também precisa ser físico. Fora esses casos, foi tudo tranquilo.
Por isso, recomendo ter uma segunda conta global. Se a primeira falhar ou o cartão não passar, você continua gastando no débito e não cai no spread e no IOF do crédito.
BRB DUX: o melhor crédito que eu tenho, e o bloqueio no meio da viagem
O DUX foi meu crédito principal porque pontua 7 pontos por dólar no exterior e 5 no Brasil. Além disso, os pontos podem ir para várias aéreas. A Azul, por exemplo, faz com frequência campanhas de até 90% de bônus para assinantes do Clube Azul.
O problema foi outro: no meio da viagem, o DUX foi bloqueado. Como as locadoras exigem crédito físico, fiquei sem o cartão certo para o aluguel do carro.
Na última perna, paguei o pedágio e os serviços adicionais da Hertz com o Azul Itaú. Era o “menos pior” que eu tinha no físico. A lição: o backup do seu crédito principal precisa ser de outro banco, e de preferência de outra bandeira. Assim um bloqueio não derruba os dois de uma vez.
DUX x Azul Itaú x Revolut: o custo real de gastar US$ 1.000
No crédito, o DUX ganha do Azul Itaú em tudo: pontua mais e tem spread menor. Mas nenhum crédito chega perto do custo do débito da Revolut.
Simulação com dólar a R$ 5,00 e IOF de 3,5% nas compras no cartão de crédito:
| BRB DUX | Azul Itaú Visa Infinite | Revolut Ultra (débito) | |
|---|---|---|---|
| Pontos por dólar no exterior | 7 | 3,5 (5,25 com Clube Azul) | 1,5 RevPoint |
| Pontos em US$ 1.000 | 7.000 | 3.500 (5.250 com Clube Azul) | 1.500 |
| Spread | 4% | 5,5% | 0% (até R$ 20 mil/mês) |
| IOF | 3,5% | 3,5% | 0% |
| Custo de US$ 1.000 | R$ 5.382 | R$ 5.460 | R$ 5.000 |
| Quanto paga a mais que a Revolut | R$ 382 | R$ 460 | — |
O DUX ainda abre outra porta. Com 90% de bônus na Azul, os 7 mil pontos podem virar cerca de 13.300 pontos Azul, contra 5.250 do próprio cartão Azul com Clube. E os pontos do DUX também vão para outras aéreas, enquanto os do Azul Itaú ficam presos na Azul.
Por outro lado, o DUX custa R$ 382 a mais que a Revolut a cada US$ 1.000 para render 5.500 pontos a mais. Isso dá cerca de R$ 69 por milheiro. Só compensa se você tira mais que isso nas emissões.
Fontes: pontuação do DUX e do Azul Itaú (a pontuação com Clube Azul é promocional e vai até 31/12/2026); spread de 4% do DUX e de 5,5% do Azul Itaú.
Aluguel de carro, pedágio e hotel: onde o crédito físico é obrigatório
Se você vai alugar carro nos EUA ou no Canadá, leve dois cartões de crédito físicos no seu nome, de bancos diferentes. Foi exatamente o que me faltou.
- Locadora: a Hertz pede no balcão a carteira de motorista e um cartão no nome do locatário, e bloqueia um valor de caução. No débito, esse bloqueio pode chegar a US$ 500 além do valor do aluguel, contra US$ 200 no crédito, e a loja costuma fazer uma checagem de crédito. Na prática, para quem vem do Brasil, é crédito físico.
- Pedágio: a maioria das rodovias com pedágio na Flórida, em Nova York e em Ontario cobra pela placa, sem cabine. A locadora repassa o valor depois, no cartão cadastrado, junto com a taxa do programa de pedágio dela. Por isso o cartão do aluguel precisa continuar funcionando até a cobrança final.
- Hotel: além do hotel em Fort Lauderdale que não aceitou a carteira digital, muitos hotéis bloqueiam uma caução no check-in. No débito, esse dinheiro fica preso no seu saldo até a liberação. No crédito, só consome limite.
Também vale escolher o crédito pelo seguro: cartões Visa Infinite e Mastercard Black costumam ter seguro de aluguel de carro, desde que o aluguel seja pago com eles. Confira as condições do seu cartão antes de recusar o seguro da locadora.
Os erros que cometi
- Deixei o cartão físico da Revolut em casa. Achei que a carteira digital bastaria. Com ele em mãos, teria uma opção melhor que o Azul Itaú para o hotel e para os gastos que pediram cartão físico.
- Confundi os cartões na carteira digital. A Revolut tem dois cartões: o do débito da conta global e o múltiplo, que funciona como cartão brasileiro. Paguei uma compra com o múltiplo achando que era o débito, e veio com spread e IOF. A dica é deixar o débito global como cartão padrão durante a viagem e renomear os cartões na carteira.
- Não tinha um backup de crédito à altura do DUX. Quando ele bloqueou, o Azul Itaú virou o cartão principal, com menos pontos e spread maior.
Câmbio esperto: Braza ON, SWIFT e o upgrade para o Ultra
Braza ON no dia da eleição. Quando saiu o resultado e o dólar disparou, a Braza ON ainda segurava a cotação em R$ 4,99. Aproveitei e converti um bom valor. A conta global do Braza informa uma taxa de 0,6% no câmbio.
SWIFT para a Revolut sem custo. Depois, mandei os dólares da Braza para a Revolut por SWIFT, sem cobrança. Assim o dólar comprado barato virou saldo para gastar no débito durante a viagem.
Upgrade do Metal para o Ultra. Já estava nos planos, e fiz durante a viagem. O débito passou de 1,0 para 1,5 RevPoint por dólar, 50% a mais, e veio o cartão de platina. O limite de câmbio sem IOF e sem spread também sobe de R$ 10 mil para R$ 20 mil por mês. A mensalidade é de R$ 249,99, contra R$ 79,99 do Metal, então vale a conta para quem gasta bastante no exterior.
Dicas que ninguém conta
- Pague sempre na moeda local. Quando a maquininha ou o caixa eletrônico oferecer cobrar em reais, recuse. Essa conversão (chamada DCC) usa uma cotação pior que a do seu banco.
- No Canadá, converta direto para dólar canadense? NÃO PRECISOU, REVOLUT CONVERTEU SEM CUSTO
- Posto de gasolina: UM VALOR É BLOQUEADO NO CARTÃO, DEPOIS É LIBERADO. SE O ABASTECIMENTO DER ERRADO, O VALOR VAI FICAR BLOQUEADO POR CERCA DE 7 DIAS.
- Metrô por aproximação: em Nova York e em Montreal dá para pagar a catraca encostando o cartão ou o celular. Use o débito da conta global. Não testei, preferi comprar o cartão de transporte. EM Montreal tem a opção do diário.
- Gorjeta na maquininha: nos restaurantes, a maquininha já sugere a gorjeta. Ela entra no mesmo cartão, então pague com o débito e não com o crédito.
- Desbloqueio rápido: antes de embarcar, garanta que você consegue desbloquear cada cartão pelo app ou pelo telefone internacional do banco, sem depender de SMS de um chip brasileiro desligado.
Checklist: a carteira ideal para EUA e Canadá
- Conta global com cartão de débito físico (no meu caso, Revolut) para o gasto do dia a dia, carregada antes em dólar e dólar canadense
- Uma segunda conta global como reserva do débito
- Crédito principal físico com boa pontuação no exterior e spread baixo, para aluguel de carro e cauções (no meu caso, o BRB DUX)
- Crédito reserva físico de outro banco, de preferência de outra bandeira
- Um cartão com sala VIP, se nenhum dos anteriores tiver acesso nos aeroportos do roteiro
- Todos na carteira digital, com nomes que não deixem confundir débito global com cartão brasileiro
- App de cada banco funcionando fora do Brasil, para desbloqueio
Meu veredito: Revolut no débito para quase tudo, DUX no crédito quando o crédito for obrigatório. E nunca viaje com um único crédito físico de verdade.



















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