
Delator do Banco Master aparece como ganhador de 570 prêmios de loteria
Atualizado em 24 de setembro de 2026
O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, voltou ao centro das investigações envolvendo o Banco Master. Dono da Entre Investimentos e colaborador nas apurações sobre o banco, Freixo é um dos alvos da Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Ministério Público de São Paulo.
Segundo informações apresentadas na investigação, o empresário aparece como ganhador de 570 prêmios e apostas entre janeiro de 2020 e junho de 2025, com valores que teriam alcançado aproximadamente R$ 176 milhões. Para os investigadores, a movimentação envolvendo premiações e apostas precisa ser esclarecida diante das demais operações financeiras atribuídas ao empresário.
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A investigação também identificou uma transferência de R$ 940 mil feita por uma empresa ligada a Freixo para a Wave, companhia que aparece em outra investigação relacionada a suspeitas de lavagem de dinheiro e aos desvios envolvendo um contrato entre a casa de apostas Vai de Bet e o Corinthians.
Investigação questiona movimentação de prêmios
De acordo com a representação do Ministério Público utilizada para fundamentar as buscas, os investigadores encontraram uma quantidade incomum de registros de premiações atribuídos a Freixo.
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No período analisado, entre 2020 e junho de 2025, ele teria aparecido como ganhador em 570 ocasiões, totalizando cerca de R$ 176 milhões.
O Ministério Público afirma que os dados levantaram a suspeita de uma estrutura financeira envolvendo apostas e premiações que poderia ter sido utilizada para movimentar ou ocultar recursos de terceiros. Trata-se, porém, de uma hipótese investigativa, e não de uma conclusão judicial definitiva sobre a origem de cada prêmio.
A investigação faz parte da apuração mais ampla sobre possíveis operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao setor de combustíveis.
Transferência de R$ 940 mil chama atenção dos investigadores
Outro ponto destacado pelos investigadores é uma transferência de R$ 940 mil realizada por uma empresa de Antonio Freixo para a Wave.
A companhia já havia aparecido nas investigações relacionadas ao contrato firmado entre a Vai de Bet e o Corinthians.
Segundo o Ministério Público de São Paulo, a Wave teria movimentado valores expressivos apesar de estar formalmente vinculada a um motoboy. A empresa foi citada na denúncia apresentada pelo órgão contra ex-dirigentes do Corinthians em uma investigação sobre possíveis desvios relacionados ao contrato com a casa de apostas.
A transferência para a Wave, portanto, passou a fazer parte do conjunto de movimentações financeiras que estão sendo analisadas pelas autoridades.
O que a Wave tem a ver com o caso Corinthians?
A Wave aparece em investigações sobre o fluxo financeiro relacionado ao contrato entre a Vai de Bet e o Corinthians.
Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público paulista, a empresa teria sido utilizada em operações que deveriam ser esclarecidas pelas autoridades, inclusive por causa da diferença entre sua estrutura formal e o volume de dinheiro movimentado.
Além disso, segundo as informações divulgadas sobre a investigação, a Wave teria realizado transações com pessoas que aparecem em outras apurações envolvendo o mercado de futebol e lavagem de dinheiro.
Isso não significa, por si só, que todas as pessoas ou empresas que realizaram transações com a Wave tenham cometido irregularidades. A relação financeira é um dos elementos que estão sendo examinados pelos investigadores.
Freixo e o caso Banco Master
Antonio Carlos Freixo Junior ganhou notoriedade nacional após firmar um acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no caso envolvendo o Banco Master.
Conhecido como “Mineiro”, ele é dono da Entre Investimentos e foi apontado nas investigações como operador financeiro ligado ao então controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Segundo informações divulgadas sobre sua colaboração, Freixo relatou operações realizadas a pedido de Vorcaro e afirmou ter participado da geração de dinheiro em espécie para transações relacionadas ao banqueiro. O empresário teria movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025, segundo relato divulgado anteriormente pela imprensa.
O acordo de colaboração foi homologado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em setembro de 2026, segundo informações publicadas à época.
Repasses relacionados ao filme “Dark Horse”
Outro capítulo da delação envolve transferências internacionais relacionadas ao filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo documentos e relatos atribuídos à investigação, Freixo afirmou ter realizado sete transferências que somaram US$ 12,3 milhões para o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, durante 2025.
De acordo com o relato do empresário, os pagamentos teriam sido realizados por orientação de Daniel Vorcaro. Investigadores também encontraram documentação relacionada a um contrato de investimento na produção do filme.
Esse episódio é investigado separadamente das apurações envolvendo o setor de combustíveis.
Nova operação mira esquema no setor de combustíveis
A Operação Crédito Oculto, terceira fase da Operação Carbono Oculto, investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio relacionadas ao setor de combustíveis.
Freixo está entre os alvos da operação. De acordo com as informações divulgadas nesta quinta-feira, os investigadores apuram sua possível participação em estruturas financeiras relacionadas aos empresários Roberto Augusto Leme, conhecido como Beto Louco, e Mouhamad Murad, o Primo.
A investigação busca esclarecer a estrutura societária e financeira utilizada na aquisição de uma distribuidora de combustíveis e identificar os eventuais beneficiários das operações.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em diferentes estados, com participação de órgãos como o Ministério Público de São Paulo, Receita Federal e forças policiais.
Entre Investimentos entrou no radar das autoridades
A empresa de Freixo, a Entre Investimentos, aparece em diferentes frentes da investigação.
Além das operações envolvendo o Banco Master e dos questionamentos sobre a movimentação de prêmios, documentos citados pelas autoridades também relacionam a empresa a transferências internacionais.
O empresário, por sua vez, passou de colaborador nas investigações do caso Master a alvo de uma nova etapa das apurações conduzidas pelo Ministério Público paulista.
O que está comprovado e o que ainda é investigado?
O caso reúne diferentes investigações e, por isso, é importante separar fatos documentados de hipóteses ainda em apuração.
Entre os elementos divulgados estão:
- Freixo firmou acordo de colaboração com a PGR no caso Banco Master;
- ele aparece como alvo da Operação Crédito Oculto;
- documentos citados pelo Ministério Público apontam 570 premiações e apostas atribuídas a ele entre 2020 e junho de 2025;
- esses prêmios somariam aproximadamente R$ 176 milhões;
- uma empresa ligada a Freixo realizou uma transferência de R$ 940 mil para a Wave;
- a Wave aparece em investigação relacionada ao contrato entre Vai de Bet e Corinthians;
- autoridades investigam se a estrutura envolvendo apostas e premiações poderia ter sido utilizada para movimentação ou lavagem de recursos;
- as novas buscas procuram documentos e outros elementos que possam esclarecer essas operações.
As suspeitas ainda estão sendo investigadas pelas autoridades e não equivalem, por si só, a uma condenação criminal.
Investigação ainda deve avançar
O material utilizado para solicitar as buscas inclui documentos, contratos, mensagens e áudios apreendidos em etapas anteriores das investigações.
Com a nova operação, os investigadores devem analisar documentos financeiros e outros elementos para tentar reconstruir o caminho dos recursos e identificar eventuais beneficiários das operações.
O caso conecta diferentes frentes — Banco Master, mercado de combustíveis, apostas, empresas utilizadas em movimentações financeiras e investigações relacionadas ao Corinthians — mas cada uma delas possui apurações e contextos próprios.
A principal questão agora é esclarecer a origem dos valores movimentados, a finalidade das transferências e se as operações tinham alguma relação com os esquemas de lavagem de dinheiro investigados pelo Ministério Público.
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